📖 Leitura técnica. Este artigo entra no «como» do NAiOS Tunnel e destina-se a perfis técnicos —informática, sistemas, desenvolvimento—, com termos como portas, TCP ou bases de dados. Se não é a sua área, fique com a ideia numa frase: o NAiOS Tunnel liga os programas e os dados que vivem nos computadores da sua empresa à inteligência artificial do NAiOS, de forma segura e sem abrir a sua rede à internet. O resto, a sua equipa de TI entenderá num instante.

O dado de que precisa está ali, mas fechado
Quase todas as empresas têm informação valiosa a viver numa máquina local: a base de dados do programa de gestão, o ERP com as faturas e os clientes, uma aplicação interna que só funciona no escritório, um painel de controlo, um servidor de ficheiros. Está a poucos metros de quem precisa dela, mas ao mesmo tempo está incomunicável. O seu assistente de IAAI CopilotAssistente de IA integrado em ferramentas de trabalho pode procurar na internet, redigir um email ou resumir um documento, mas não consegue ver a linha que está na sua base de dados nem a encomenda que está no seu programa de gestão.
A razão é simples: esses serviços vivem por trás da firewall da empresa, e abrir uma porta para a internet para chegar até eles é precisamente o que ninguém quer fazer. É a porta por onde entram os problemas. Por isso o dado fica onde está, e alguém acaba por exportar um Excel à mão sempre que é preciso.
NAiOS Tunnel: uma ponte segura até aos seus serviços locais
O NAiOS Tunnel é o novo módulo que liga esses serviços locais —qualquer um que comunique por rede— ao NAiOS sem abrir uma única porta. Instala um pequeno agente no equipamento onde vive o serviço —o servidor da base de dados, a máquina do ERP, o PC onde corre a aplicação interna— e a partir daí o NAiOS pode chegar até ele em direto.
O truque está no sentido da ligação. O agente não espera que ninguém o chame: é ele quem abre uma ligação para o exterior, em direção ao túnel do NAiOS. Tal como quando o seu navegador abre uma página web, a conversa é iniciada pelo equipamento interno. Por isso não é preciso mexer no router, nem abrir portas na firewall, nem expor nada à internet. E é um túnel próprio da NAiOS: sem ngrok, sem Cloudflare, sem terceiros pelo meio.
Zero portas abertas, e com permissão para cada coisa
Cada equipamento com o agente tem uma lista de destinos permitidos que defines tu. O túnel só pode chegar exatamente ao que tenhas autorizado — por exemplo, «a base de dados na porta 5432» ou «a aplicação interna na 8080» — e a mais nada. O token de cada equipamento pode ser revogado num clique e, assim que o fazes, esse agente deixa de ter acesso instantaneamente.
O agente é leve e funciona em Windows (com um ícone no tabuleiro do sistema para o ver num relance) e em Linux (como serviço, para os servidores). Instala-se num momento com um código de emparelhamento de utilização única e atualiza-se sozinho: quando publicamos uma versão nova, atualiza-se ao voltar a ligar sem que tenhas de reinstalar nada.
Duas formas de o utilizar
Assim que o equipamento está online, o túnel é aproveitado de duas formas, conforme o que precises.
1. Pergunta diretamente no chat
Defines um «perfil» sobre o túnel e esse serviço fica ao alcance do assistente. Hoje existem três tipos, pensados para cobrir a maioria dos casos:
Bases de dados PostgreSQL e MySQL — o assistente pode ver o esquema e responder a perguntas sobre os teus dados: «quantas encomendas entraram ontem?», «dá-me os dez clientes que mais faturaram este mês». As consultas são executadas sempre em modo de apenas leitura, pelo que perguntar nunca pode modificar nada.
APIs e aplicações internas — esse serviço por medida que apenas responde dentro do escritório (um painel, um microsserviço, uma ferramenta própria) fica disponível através da sua API, com autenticação se necessário. O assistente pode consultá-lo e também realizar ações de escrita, sempre com uma confirmação prévia.
SAP Business One — como exemplo de integração pronta a usar, o módulo traz um perfil específico para o Service Layer da SAP: perguntar por parceiros de negócio, faturas em aberto ou stock em linguagem natural, e até criar uma oferta com confirmação prévia. É a prova de quão longe pode chegar um perfil bem feito sobre o túnel.
2. Liga as tuas próprias ferramentas
Às vezes não queres perguntar: queres trabalhar com o teu programa de sempre. Com um reencaminhamento, o NAiOS Tunnel abre uma porta no teu computador que sai pelo túnel até ao serviço remoto, tal como um ssh -L de toda a vida. Serve para qualquer serviço TCP: o teu cliente de base de dados (psql, DBeaver…), uma consola de administração, uma ferramenta interna.
Copia o comando que é gerado — com uma permissão limitada a esse destino e com validade — e aponta o seu programa para localhost, como se o serviço estivesse na sua própria máquina.
Pensado para não dar sustos
Quando o que está do outro lado é a base de dados ou o ERP da empresa, a segurança não é um extra: é o ponto de partida. Por isso, o NAiOS Tunnel foi desenhado com várias camadas:
O agente apenas abre ligações para o exterior: nunca há uma porta à escuta no equipamento do cliente.
Todo o tráfego é cifrado, e o túnel apenas alcança os destinos da sua lista branca.
As credenciais são guardadas cifradas; em Windows, o próprio token do agente é protegido com a cifragem do sistema.
As bases de dados são sempre de apenas leitura ao nível do motor, não apenas por convenção: uma escrita é impossível, mesmo que se tente.
Qualquer ação que escreva — criar um registo, chamar um endpoint que modifica — pede confirmação antes de ser executada.
É um túnel limitado e num único sentido — o NAiOS chega ao serviço que autoriza, não ao contrário —, não uma VPN que abre a rede de par em par.
O que pode ligar? Casos reais, levados ao limite
Se algo na sua empresa comunica por rede, é candidato a entrar pelo túnel. Para ter uma ideia de até onde chega, aqui ficam alguns exemplos por setor:
Gestão, ERP e POS — SAP Business One, mas também o ERP de serviço, o programa de faturação, o software de armazém ou o terminal de ponto de venda: consultar encomendas, clientes, stock ou faturas a partir do chat, ou deixar que um agente prepare um orçamento, sempre com confirmação antes de escrever.
Bases de dados e BI — a base de dados que alimenta os seus relatórios: perguntas em linguagem natural sobre vendas, margens ou inventário sem exportar nada, e as suas ferramentas de sempre (DBeaver, um cliente de BI através de um reencaminhamento) a apontar como se a base estivesse na sua própria secretária.
Aplicações e APIs internas — o microsserviço à medida, a intranet, o painel de controlo, um CRM próprio: ficam disponíveis pela sua API para consultar e também para agir, sempre com confirmação no que modifica.
IoT e indústria (Indústria 4.0) — dispositivos com IP na sua rede: um broker MQTT, autómatas e PLCs por Modbus TCP, câmaras, sensores, um hub domótico com API local. Pode ler telemetria a partir do chat — «a que temperaturaTemperaturaParâmetro que controla a criatividade vs. precisão da IA está a câmara frigorífica?» — ou ligar o seu cliente industrial através de um reencaminhamento. (Os aparelhos por USB ou porta série precisam antes de uma pequena ponte que os leve à rede.)
Hotelaria, retalho, logística, escritórios, clínicas… — a disponibilidade de um hotel, o stock de uma loja, o estado de uma frota, o sistema de um escritório ou de um gabinete de contabilidade, o histórico de uma clínica: qualquer dado que hoje só se consulta estando à frente de um computador concreto.
Ferramentas e sistemas herdados — uma consola de administração, um servidor de ficheiros, um serviço de correio interno, ou aquele programa antigo mas imprescindível que só existe num PC: sem o migrar nem o expor, ao alcance da IA.
O que faz hoje e o que ainda não (é uma V1)
Esta é uma primeira versão, e preferimos dizer com clareza onde estão os limites de hoje:
Faz o túnel de serviços que comunicam por rede sobre TCP (e HTTP): bases de dados, APIs, MQTT, Modbus TCP… Ainda não suporta UDP, por isso algum protocolo IoT ou de streaming que funciona por UDP fica de fora por agora.
Chega ao que tem IP e porta. Um dispositivo por USB, porta série, Bluetooth ou Zigbee precisa de uma ponte que o exponha à rede para poder ser tunelizado.
É um túnel num só sentido e limitado à tua lista branca: o NAiOS chega ao serviço que autorizas, e a nada mais. Não é uma VPN que abra a rede inteira.
Está em implementação controlada: hoje ativamo-lo caso a caso, acompanhando o arranque, mais do que como autosserviço para qualquer pessoa.
O que aí vem (2026–2027)
O rumo é marcado por aquilo que nos pedem. Sem prometer datas, no horizonte de 2026 e 2027 estamos a olhar para UDP e mais protocolos (para cobrir mais IoT, voz e streaming), mais integrações prontas a usar ao estilo da do SAP —para os ERPs, CRMs e sistemas mais habituais—, e um arranque cada vez mais autosserviço. Iremos abrindo conforme a procura real, com a segurança sempre em primeiro lugar.
Disponível no NAiOS
O NAiOS Tunnel nasceu de uma necessidade muito concreta —ligar o sistema de um colaborador sem lhe montar meia infraestrutura— e tornou-se uma peça que serve para qualquer serviço que viva portas adentro: uma base de dados, um ERP, uma aplicação interna, um painel à medida. Estamos a implementá-lo de forma gradual: se na tua empresa há algo que adorarias poder consultar ou gerir a partir do chat, falemos sobre isso e ativamo-lo para o teu caso.
Porque a IA é muito mais útil quando pode olhar para os teus dados. O NAiOS Tunnel é a ponte para que ela chegue até eles, sem baixar a guarda.






